Topo

Quinta-feira, 15 de Maio de 2008

Escolhas

Reflexão

À medida que o tempo vai passando, a idade chegando... percebemos que o tempo é aliado, deste modo não pode ser desperdiçado. A sabedoria está nas escolhas...

1. Escolhi visitar sempre meus pais, porque não neste mundo ninguém que me ame mais do que eles. Preciso aproveitar este amor e retribuir.
2. Escolhi não esperar o elevador – cara, odeio ficar olhando para o nada!
3. Escolhi não atender o telemarketing. Gasto o tempo deles e o meu!
4. Escolhi dirigir com calma, mesmo quando estiver atrasada. Pode chegar tarde, mas chegarei mais feliz...
5. Escolhi fazer o que realmente gosto, mas quando for inevitável, tentar aproveitar mesmo quando estou fazendo algo que odeio;
6. Escolhi ser “otária”, ser honesta: não vou ganhar todas, não vou conseguir tudo, mas quando conseguir, não preciso ter medo de perder, porque sei que sou capaz de fazer de novo;
7. Escolhi aceitar elogios;
8. Escolhi filtrar queixas, reclamações e críticas;
9. Escolhi, em alguns momentos ser cega, surda, muda e paralítica:

i. Tem coisas que a gente não precisa ver;
ii. Tem coisas que a gente não precisa ouvir;
iii. Coisas que a gente não deve falar;
iv. E outras, pelas quais, você não deve se mexer.

10. Escolhi o conhecimento, o aprendizado – sem pressa, sem fome, com constância!
11. Escolhi não sair do banho porque o telefone está tocando!
12. Escolhi não atender a porta de toalha;
13. Escolhi fazer da internet lazer e não vício. Se sair do ar... Não vou ter crise de abstinência!
14. Escolhi não me deixar dominar pelo bliiig do msn. Só falo no meu tempo.
15. Escolhi rir, rir muito, rir sempre – mas se não rolar, não vou ter vergonha de chorar, chorar até cansar, até sentir que meus olhos estão com jeito de personagem de desenho animado, e minha alma desidratada!
16. Escolhi ser mãe: eternizar o tempo e a falta dele. Essa é a única verdade absoluta deste texto!

E por fim, escolhi este tema, porque não houve jeito de pensar em nada melhor!!!

Gláucia Taricano


Ao som de 'Aquele abraço' - João Gilberto
Degustando Suco de Laranja
Imagem: 'Caminhos' - Rafael Pires

Terça-feira, 13 de Maio de 2008

Gláucia Taricano no Café Alexandrino

Apresentação
Queridos amigos e leitores,

É com muita alegria que mantenho este blog. E é com mais alegria ainda que agrego pessoas queridas, textos dos quais gosto, gente que escreve e que admiro por algum motivo especial.

Neste sentido, tenho prazer enorme em informá-los que a Gláucia Taricano escreverá neste blog toda 2ª e 4ª quintas-feiras do mês. Ou seja, na segunda e na quarta semana do mês sempre será possível lê-la por aqui. Excepcionalmente nesta semana, por motivos de desencontro maior, seu texto será publicado não na segunda e na quarta semanas, mas sim na terceira e quarta semanas. Se houver novos desencontros, peço ao estimado leitor que não fique raivoso ou triste conosco, afinal, a vida, se for rígida por demais, perde o seu lado aromático.

Gláucia e eu blogamos desde 2002/2003, quando a blogosfera ainda engatinhava no Brasil. Ela, sempre com um humor implacável, com o seu "Mãe 24h" contagiando multidões. Jornalista e mãe, amante de esportes (principalmente Tênis), é um equilibrista das cotidianeidades, uma artista do bem-viver. Falar dessa carioca de corpo e alma é muito fácil e muito difícil. Fácil porque quaisquer adjetivos positivos que se pensar ela tem. Difícil, no entanto, encontrá-los em número suficiente para fazer jus à sua pessoa.

Estou certo de que vocês, queridos leitores, assim como eu, ganharão e muito com a presença da Gláu no Café Alexandrino. Ela conhece muito bem "o lado aromático da vida"!

Glaucinha, obrigado de coração por aceitar o convite! A casa é sua, e, nela, você é livre, assim como seu espírito o é.

Queridos leitores, eis: Gláucia Taricano na sua forma mais original e inusitada de ser!

Um abração a todos!

Com alegria,
Ismael



Sexta-feira, 9 de Maio de 2008

Colunas

Poesia
menina-moça,
tens dons infindos
– até os anjos sabem.
mas um dos que mais gosto
é essa ligeireza que tens
em me fazer brotar, de súbito,
pingos em minha face petrificada
pela distância-tempo em que fui construído.

somos estalactites e estalagmites
nascidas em tempos remotos
e que hoje, consolidadas, tocam-se
formando esculturas irretocáveis.
habitamos cavernas de sonhos
mergulhamos em mares profundos
– quase virgens – escondidos dos olhos
das multidões atrozes por nos consumir.

és meu paraíso oculto.
não sei o que sou para ti, no entanto.
mas sei, moça-menina,
que sem mim te tornarias perdida
(desabaria!)
e sem ti dificilmente eu existiria
de pé.

Ismael Alexandrino, Bari


Ao som de 'É isso aí' - Ana Carolina & Seu Jorge
Degustando Água gasada com limão
Imagem: 'Estalactites' - Tai KS

Quarta-feira, 30 de Abril de 2008

Os pássaros e os poetas

Crônica

É madrugada no Velho Mundo, e acabo de descobrir o que nunca passara pela minha cabeça: há pássaros que têm insônia. Nunca soubera disso. Para mim, os pássaros eram como as galinhas e patos, que buscam se acomodar para dormir, tão logo o sol dá sinais que está virando as costas. Mas não é bem assim.

Desde menino gosto de ouvir pássaros cantando. Já criei canários-belgas que cantavam quase o dia todo; meu pai até os imitava. Mas às vezes eu achava que o canto não era de alegria, mas de protesto por estarem presos. Hoje eu não criaria pássaros em gaiolas. Porque pássaros nasceram para serem livres, brincarem de voar, fazerem ninhos com restos de gravetos, dançarem para o acasalamento, fazerem bagunça nas poças de água, e cantarem quando estiverem emocionados.

Também os humanos nasceram para serem livres, andarem por onde quiserem, dançarem, namorarem, fazerem seus ninhos, e dormirem onde, como, com quem e quando quiserem. Mas há humanos que adoram prender outros humanos em gaiolas, ditar-lhes regras, cartilhas que, segundo eles, são para manter a ordem. Que ordem? Fico pensando...

Olho para os pássaros livres e só vejo alegria nos seus olhos, música nos seus bicos e paz nos seus vôos. Pássaros presos em gaiolas são silhuetas de tristeza, fragilidade, e morrem facilmente. Os humanos seriam diferentes? Quando vejo um que está somente obedecendo a regras, agindo como robôs programados, cantando apenas para ganhar mais ração, o que observo são semblantes carregados, sem humor, hostis, destemperados, frágeis nas suas emoções, sem vida. Incapazes de cantar como pássaros livres.

Por isso que nasceram os poetas. Poetas são pássaros que não agüentaram ficar presos nas gaiolas sociais e aí batem asas nos seus versos, fogem no ritmo das suas estrofes, saltitam nas suas rimas para fora das muralhas impostas, pulam de letra em letra, inventam palavras, criam outro mundo. Desde tenra idade gosto de ouvir os poetas. Ouvi tanto que, de início, mimetizei. Depois me tornei um deles. Contraventor. Pássaro livre.

Mas eu falava no início que eu acabara de descobrir que há pássaros com insônia. E como cantam bonito! A acústica do silêncio noturno é perfeita. Fiquei com imensa curiosidade de saber de que espécies são, quais são suas cores, seus instrumentos musicais. Porque também sei que existem poetas com insônia. Quando todo mundo dorme e as gaiolas são abertas pela escuridão da noite, lá vai eles escrever, inventar, criar mundos outros, exercer a liberdade que a condição humana carece.

Hoje em dia, quando vejo pássaros engaiolados, me dá profunda vontade de abrir suas gaiolas, dar-lhes asas. Da mesma forma, quando vejo humanos presos, me dá profunda vontade de abrir suas mentes, dar-lhes poesias.

Ismael Alexandrino


Ao som de Canto de Pássaros
Degustando Água com Gás
Imagem: 'Canário da Terra' - Tiago Degaspari

Domingo, 27 de Abril de 2008

Cicio noturno

Poesia

Pai Nosso que estás no Céu,
Como posso chegar mais perto de Ti?

Santificado seja o Teu nome;
Faz-me novo nome em Tua presença.

Venha a nós o Teu Reino
E cria em mim um coração puro, alegre, pacificado.

Seja feita a Tua vontade,
Porque as minhas são cada vez mais insensatas.

Assim na Terra como nos céus
Quero louvar-te, glorificar-te mais.

O pão de cada dia nos daí hoje,
Pois sou demasiadamente humano, e tenho fome.

Perdoa as nossas dívidas;
Livra-me de ser maior pecador.

Assim como temos perdoado nossos devedores,
Peço multiplicares em mim o perdão.

E livra-nos do mal,
Já que as trevas teimam em me assombrar.

Pois Teu é O Reino, O Poder e A Glória para sempre
E urge-me habitar em Teu âmago.

Amém,
Pai Meu.

Ismael Alexandrino


Ao som de 'Aria' - Johann Sebastian Bach
Degustando Granato Vigneti delle Dolomiti Rosso I.G.T. 2002
Imagem:'Fé: Duomo de Milão' - Ismael Alexandrino

Sábado, 19 de Abril de 2008

Sobre coisas inevitáveis e a vida

Curtas


"Há uma coisa tão inevitável quanto a morte: a vida."

"A vida não é significado; a vida é desejo."

Sir Charlie Chaplin¹



Ao som de 'Wonderful tonight' - Ivan Lins & Michael Bublè
Degustando Torta Alemã


¹Sir Charlie Spencer Chaplin, nasceu em Londres em 26 de abril de 1889, foi ator, diretor e roteirista; faleceu em 25 de dezembro de 1977.

Quarta-feira, 16 de Abril de 2008

Mixórdia

Poesia


Mania, diz a psiquiatria
Ser um excesso de humor.

Alegria, dizem-me
Ser um excesso de contentamento.

Paixão, dizem por aí
Ser algo incontrolável, avassalador.

Para amor,
Há conceitos mil.

E você, disso que sentimos,
O que me diz?

Ismael Alexandrino


Ao som de 'O bem e o mal' - Yamandu Costa
Degustando Trufas de Uva
Imagem: 'A moça no jardim' - Ismael Alexandrino

Sábado, 5 de Abril de 2008

Quando secar a grama

Crônica


O céu estava bem mais alegre que nos outros dias. Não havia nuvens densas, nem mesmo aqueles algodões bem branquinhos e esparsos. Mas ainda assim se precisava de um bom agasalho para aquecer o vento frio e seco. De luvas, gorro, cachecol e sobre-tudo caminhei até a estação de metrô como geralmente faço todas as manhãs.

Notei as pessoas mais alegres, empolgadas, e, muitas delas, bem menos agasalhadas do que eu. Desci em frente ao hospital, cumprindo as obrigações de rotina. Uma reunião geral com o corpo clínico, visita aos pacientes, duas cirurgias.

Mas o dia, sem dúvida, era especial. Nada de mirabolante, nenhuma data comemorativa. Mas especial. E muito, para ser bem sincero. Por quê? O amigo leitor deve estar se perguntando intrigado. Até me dá certo receio em revelar, pelo simples fato de ser algo bem comum, e o estimado leitor ficar chateado comigo. E se uma coisa que eu não gosto é contrariar quem me lê. Sim, eu valorizo quem me lê, sempre valorizei. E só escrevo pensando nesses que toleram minhas singelas palavras.

Acho que chegou a hora de eu revelar a “cereja do bolo” que coloria o dia. Ou melhor, aquecia. É, aquecia. Isso mesmo, meus queridos, aquecia. O sol, nosso astro principal da Via Láctea, resolvera aparecer! Estava lá reluzindo a todo vapor, pendurado no céu, bem bonitão, um tanto quanto solitário – é verdade –, mas cheio de charme. Não sei se você já parou para pensar na importância do sol. Não, não..., ele não serve apenas para bronzear donzelas e saradões nas praias de Copacabana, Hawai, Malibu, Cancun, Taiti. O sol é fonte primária de energia! Sem ele, a vida que nós conhecemos hoje, da forma que a conhecemos, provavelmente não existiria. Ele, como fonte primária, nutri as plantas, toda e qualquer sorte de vegetal, através da fotossíntese. E os vegetais servem de alimento para os animais, inclusive o animal-homem. E os animais (que não o homem, claro!) que se alimentam dos vegetais também servem de alimento para o homem. Mas tudo começou no sol. “The first!”, “il primo”, “el primero”, o primeiro!

Caminhei até o Parco Sempione, um majestoso parque que fica atrás do Castelo Sforzesco, em Milão. Um mimo aos olhos, um oásis, um verdadeiro convite à contemplação. O sol secara a grama da umidade costumeira, e uma multidão de jovens, velhos e crianças estavam ali, sentados em roda, outros deitados, conversando, se divertindo, num tremendo bem-estar.

Não hesitei: tirei meu casaco e o fiz de travesseiro. Fiquei longo tempo lendo bem tranqüilo um livro que havia ganhado de uma cirurgiã plástica no Brasil. Depois, meus olhos, cansados de ler, quiseram dormir. E eu não pude contrariá-los ali naquele lugar que só havia satisfação. Dormi longamente naquela grama macia, sendo acariciado por belos raios de sol que passavam por entre as folhas da árvore.

Estou certo de que em praticamente todas as cidades do mundo existe uma praça com grama verdinha, flores, e uma fonte que fica bem mais próximo de onde estamos do que se pode imaginar. Ou mesmo um parque magnífico como este que me serviu de leito. Se ainda nunca teve uma oportunidade destas, experimente sair da frente da TV ou dos corredores do shopping center da próxima vez que o sol aparecer e, enxugando o orvalho, fizer secar a grama.

Ismael Alexandrino, Milão


Ao som de 'A Summer Thing' - Zoot Sims & Bucky Pizzarelli
Degustando Chocolate Quente
Imagem:'Namorando no Paraíso' - Ismael Alexandrino

Terça-feira, 25 de Março de 2008

Baby Bundas

Artigo


"Querido(a)s amigo(a)s, eu sou Responsável. Mesmo que eu ainda não consiga evitar que o pior aconteça. Eu sou responsável pela minha atitude de indignação contra os inevitáveis males da vida. Eu posso escolher ficar sentado olhando a eterna tristeza dos Baby Bundas, ou eu posso escolher me levantar e viver a minha vida do jeito que eu acredito que tem que ser vivida."




Em algum momento entre 2008 e 2009, a economia dos EUA, Inglaterra e Rússia devem experimentar a pior recessão da sua história. Os economistas do primeiro mundo esperam uma desaceleração radical de todos os meios de produção em função da aposentadoria em massa dos Baby Boomers. O consumo deve cair drasticamente com dois terços dos Baby Boomers se aposentando até o final da década. 80% do melhor do consumo nos EUA, Inglaterra e Rússia é feito hoje pelos Baby Boomers que estão pendurando as chuteiras.

Para complicar o cenário, o alongamento da expectativa de vida das pessoas vai trazer grandes problemas para a vida dos boomers. Os seus pais estão vivendo mais, o que os obriga a sustentar os mais velhos e ainda sustentar os filhos que não se estabeleceram na vida. Estima-se que 67% dos Baby Boomers aposentados vão ficar sem dinheiro ainda em vida. A grande maioria dos Baby Boomers contam apenas com os seus imóveis como fonte de receita quando aposentados. Entretanto, a problemática imobiliária americana já desvalorizou as suas residências em 15%.

Baby Boomers é o termo usado para descrever a geração de pessoas que nasceram no Pós Segunda Grande Guerra entre 1946 e 1964 nos EUA, Inglaterra e Rússia. Foram eles os grandes responsáveis nas últimas três décadas pela consolidação do estilo de vida que a grande maioria das pessoas apreciam: casa, carro, televisão, família, restaurantes, shopping centers, clubes, entretenimento cultural e viagens de lazer.

Há anos se discute o impacto da aposentadoria dessa geração para o nosso futuro. Quem vai substituir os médicos, engenheiros, professores, advogado e arquitetos que estão se aposentando? Os americanos estão realmente preocupados com a questão. Para se ter uma idéia da importância desse assunto, uma busca básica no Google aponta 4.810.000 milhões de páginas sobre Baby Boommers.

O Brasil não está muito preocupado com esse assunto, mas deveria. Vai faltar gente para desempenhar as funções mais básicas da economia: fazer conta e escrever. A coisa vai ficar muito feia até 2010. Nesse momento a Catho está anunciando 2.578 vagas abertas para Engenheiros Civis, 1.451 para Engenheiros Eletrônicos, 2.209 para Engenheiros de Telecomunicações, 8.121 vagas para profissionais de educação, 5.794 para profissionais Financeiros, 14.611 para profissionais de informática e 3.308 para profissionais de logística e suprimentos.

Quem irá preencher essas vagas?

E quantas novas vagas poderiam ser criadas se tivéssemos cérebros adicionais para criar planos de negócios sólidos?

Para cada novo cérebro que soubesse fazer planos de negócios, teríamos 100 novos postos de trabalho, diretos ou indiretos. Para cada novo cérebro que soubesse executar um plano de negócios, teríamos 200 novos postos de trabalho.

Mas, quem irá preencher essas vagas?

Quem? Quem?

Os Baby Boomers tem muitos fãs e críticos ferrenhos. De um lado dizem que os Boomers são os grandes responsáveis pela expansão dos nossos direitos individuais. A causa feminista, os direitos dos homosexuais, os direitos civis, os direitos dos deficientes físicos são algumas das conquistas dessa geração. Além disso, a criação da televisão, a proliferação do rádio e das mídias revistas e jornais permitiram que o indivíduo passasse a ter maior controle sobre a informação que recebe. Por outro lado, os Boomers são acusados de ignorar o futuro e pensar apenas no seu bem estar individual. Investiu-se pesado na construção de fábricas, cidades e carros, deixou-se de lado o meio ambiente.

Quem critica os Baby Boomers são os líderes das gerações que vieram depois, as chamadas Gerações X e Geração Y. Muito provavelmente a sua ou a minha geração.

A Geração X é marcada pela falta de otimismo, cinismo e apatia política no status quo. Os Xs acreditam em Deus, são abertos a todo tipo de religião, mas não seguem nenhuma. A Geração X é caracterizada pela forte tendência ao empreendedorismo fora da caixa. Os Xs criaram a internet, os movimentos de Anti-Globalização e Meio Ambiente. Faz parte da Geração X quem nasceu entre 1964 e 1975.

A Geração Y é sobre quem nasceu entre 1976 e 1994. É a geração dos "sem teto"; não conseguem arrumar um bom emprego que pague o aluguel de um apartamento próprio. É a geração que precisa do dinheiro dos pais Baby Boomers para viver. Entretanto, são geralmente filhos de pais separados, por isso dependem de um ambiente social sadio no escritório para compensar a perda doméstica.

Eles cresceram com a informação na mão, eles têm computador, celulares, messengers, blogs, iPods e toda a tralha da vida moderna. Eles têm tudo, acham que sabem tudo, mas ainda não são nada, nem fizeram nada de realmente relevante com o que sabem.

E pior, estão dispostos a perpetuar tudo que sabem que está errado.

Eu chamo essa geração de Baby Bundas.

Eu chamo de Baby Bundas todos aqueles que têm a informação na mão mas não sabem o que fazer com ela. Não sabem por onde começar e muito menos onde quer terminar.

O Baby Bunda sabe que usar crachá corporativo é ridículo, mas não vêem a hora de pendurar o crachá de diretor da empresa no pescoço para desfilar na hora do almoço; eles sabem que ter carro corporativo é sacanagem com os estagiários que andam de ônibus, mas não vêem a hora de botar as mãos no novo Corolla 2009; eles sabem que chefe com sala grande é uma grande injustiça com os funcionários que têm que trabalhar apertados em micro cubículos sem privacidade, mas não vêem a hora de virarem chefes para ocupar a sala panorâmica com vista para a Berrini ou Paulista; eles sabem que demitir as pessoas pela idade, cor da pele, e origem é puro preconceito, mas não vêem a hora de ter o poder na mão para contratar mulher gostosa, os amigos da faculdade e mudar o escritório para a rua da badalação; eles sabem que corrupção é um dos maiores males da humanidade, mas não vêem a hora de meter a mão no cartão corporativo da empresa para levar cliente para a casa da luz vermelha.

O Baby Bunda é um cego cerebral. O Baby Bunda acredita em regras mesmo quando não as fez; acredita em harmonia mesmo quando não a tem; acredita em certezas mesmo quando nada está claro. Baby Bunda acredita em hierarquias, organogramas, status, popularidade e legado.

Baby Boomers, Geração X e Geração Y talvez não tenham nada a ver com o Brasil. A nossa geração de Boomers não lutou no Vietnã nem muito menos assistiu ao assassinato de um grande líder carismático como JFK e Martin Luther King. Pelo contrário, os Boomers brasileiros se calaram durante a ditadura militar. Eles aproveitaram o momento para fazer o pé de meia, levar um pedaço do pau brasil. A nossa geração X tá comprando agora o primeiro computador, montando agora as suas próprias empresas por falta de opção, se divorciando em igual proporção. A nossa geração Y, bem, a nossa geração Y está bebendo nesse exato momento uma Kaiser, ou tomando uma Brahma na Zeca Hora (Eu nunca vi tanta menina de dezoito anos gorda como agora), atualizando o profile na Orkut, postando comentários em alguns blogs, ou despedaçando o carro do pai no poste da esquina.

Será que existe alguma geração de brasileiros pela qual podemos nos orgulhar?

Eu espero que sim.

Nada menos que isso interessa!

QUEBRA TUDO! Foi para isso que eu vim! E Você?

Ricardo Jordão Magalhães¹, Caçador de Baby Bundas


Ao som de 'Bienal' - Zeca Baleiro
Degustando Lambrusco di Modena
Imagem: 'Völlig überbewertet ...' - Hamburger Jung

Ricardo Jordão Magalhães¹ é consultor de marketing e palestrante, criador e gestor do site BizRevolution.

Sexta-feira, 21 de Março de 2008

Sobre saber onde quer chegar

Curtas



Luzes no meio do túnel só existem para quem sabe aonde pisa.

Ismael Alexandrino


Ao som de 'Chão de Giz' - Oswaldo Montenegro
Degustando Espumone
Imagem: 'Corredor da Galeria Vittorio Emanuele II' - Ismael Alexandrino

Quinta-feira, 20 de Março de 2008

Sala de embarque

Crônica

Nem parece que há pouco mais de seis horas eu estava em outro continente. David, Manu e Benhur me ligaram se dispondo a me deixar no aeroporto em Recife, e estavam mesmo lá. Mas tia Jazeel passaria mais cedo que eles lá em casa. Flávio sairia tarde do trabalho, não chegaria a tempo. Rodrigo bem que tentou, mas o trânsito também o impedira de chegar antes do meu embarque. Mamãe, meus irmãos, e meu amor me ligaram do centro do país me desejando uma boa viagem. Em todos eles percebi certa labilidade emocional, e uma nostalgia na voz ou no semblante.

Viajar para outro país – independente do motivo e do tempo em que vai ficar – causa anseio em quem vai, receio em quem fica. Imagino que a ansiedade e o receio moram no desconhecido. Mas, e na distância, o que mora? Na distância mora a saudade.

E na saudade...Ah!, na saudade... Na saudade mora o amor. Não que não exista amor quando não há saudade, mas é que quando se está perto e não há saudade, parece que o amor fica dormindo. Aquele sentimento bem completo com facetas incontáveis, quando se está perto, dá chance às suas pequenas partes que o constitui aparecerem. Então se percebe o carinho, o zelo, a dedicação, o olhar singelo, a compreensão, o companheirismo. Mas tudo isso intensifica quando há distância, quando há saudade. E aí o amor pulsa, arrebenta o peito como lava de um vulcão incandescente.

Viajar para outro continente – independente do motivo e do tempo em que vai ficar – causa uma dose ainda maior de anseio em quem vai, e mais receio ainda em quem fica. Como serão os costumes? Como a cultura se manifesta? E o aspecto financeiro com as conversões incessantes de moeda? A comida? O transporte? O idioma? E os novos amigos, eles existirão? A cabeça fervilha buscando obedecer ao plano inicial; o coração tenta desacelerar e achar seu ritmo original.

Aqui em Lisboa, onde aguardo uma conexão para o meu destino final daqui a aproximadamente uma hora e meia, aproveito para escrever esta crônica. Está um frio discreto, cerca de dez graus centígrados. O clima ameno me convida a mais uma dose de café quente. Aceito o convite, mesmo sabendo que a cafeína de tal bebida acelerará um pouco mais meu coração ansioso, com certo receio, com muito amor, e cheio de saudade.

Almoçarei em Milão. Certamente, um paraíso gastronômico. Fã que sou da culinária italiana, não tenho quaisquer dúvidas de que meu paladar será saciado. Mas imagino que quanto melhor a companhia, mais saborosa se torna a comida. Lembro-me da palavra “comunhão”, que significa “comer junto”. Comer junto de alguém que se ama deixa a comida mais gostosa. O contrário, comer junto de alguém que não se gosta, tira o sabor das guloseimas. E comer sozinho não chega a ser um destempero, mas falta o toque final que dá o sabor refinado. Como estou longe de todo mundo que amo, imagino que o almoço será gostoso por ele mesmo, mas sem adicionais que possam lhe apurar o sabor.

A voz de timbre metálico anuncia que meu vôo não terá atraso. Olho para o lado à procura de um pão de queijo feito na hora antes de embarcar. Não encontro. E novamente me vêm lembranças. Que saudades do café da manhã que minha mãe prepara cheios de quitutes caseiros preparados com amor! Ah!, o amor... o amor mora nas lembranças; o amor mora na saudade.

Ismael Alexandrino, Lisboa


Ao som de 'Chega de saudades' - Vinícius de Moraes
Degustando Café Expresso
Imagem: 'Sobrevoando Turim' - Ismael Alexandrino

Segunda-feira, 17 de Março de 2008

DDI

Crônica
Uma ligação de looonga distância:

— Alô?

— Eu queria falar com o serviço de atendimento ao consumidor.
— Pois não.


Minutos depois:


— Serviço de atendimento ao consumidor, Deus falando.

— Deus?
— Sim...
— Nossa, o Senhor, assim...
— Qual é a surpresa, minha filha? Você fala Comigo todo dia.
— Mas o Senhor não responde...

— Isso é o que você pensa. O que você precisa, minha filha?
— Deus, sabe o que é? O Senhor me mandou um filho diferente do que eu pedi.
— Tem certeza, minha filha?
— Olha Deus, eu pedi um modelo luxo e o Senhor me mandou um STD?

— Porque você acha isso, minha filha?

— Eu queria que ele fosse inteligente, calmo, educado... Ele não é nada disso.

— Minha filha, quando ele saiu daqui ele era tudo isso, você é que andou estragando ele.

— Não sei Deus, eu tenho que ensinar tudo para ele, como pode ser inteligente?

— Ele aprende rápido, repara minha filha. Aprende até o que você não ensina. Aprende com suas atitudes.

— Deus, o certificado de garantia esta ilegível, e no lugar do proprietário, não tem meu nome e nem o do pai.

— Filha, você não é a dona dele, você é mais do que isso: é a mãe! Você está cuidando de um filho Meu, que será entregue ao mundo para realizar boas obras.

— Deus, estão faltando páginas no manual de instrução.

— Como assim, minha filha?

— Dúvidas mais freqüentes, como agir em determinadas situações, o que quer dizer cada tipo de choro... Essas coisas.

— Minha filha, há páginas que só uma mãe pode preencher. Cada ser humano é único, e às vezes um desconhecido para si próprio, então essas páginas podem jamais ser preenchidas; mas com amor, todas as páginas serão preenchidas, pois é esta a única tinta capaz de escrever neste manual. Cabe a você escolher o caminho a tomar.
— Quanto tempo eu tenho de garantia?

— Posso garantir a você, que ele ficará ao seu lado o tempo necessário, tempo este que você nunca achará suficiente. Posso lhe garantir também que você estará sempre ao lado dele, embora muitas vezes não aprove suas atitudes. Se você, verdadeiramente, aprender a ser mãe, estará ao lado dele, para ampará-lo e corrigi-lo. Assim você estará escrevendo mais uma página do manual.

— Deus, eu não tenho mais tempo para mim, ele toma tudo, ocupa todos os espaços. Eu nem me reconheço mais.
— Você não se reconhece em cada vitória de seu filho? Você não reconhece, cada minuto do tempo empregado? Se ele estiver lhe dando muito trabalho, posso trazê-lo de volta.
— ...

— Você quer isso?
— Não, não Deus, eu acho que não sei mais viver sem ele!

— Deus, eu queria me preparar, será que o Senhor pode me dizer qual a pior tarefa, a qual, uma mãe pode ser incumbida?

— Àquelas, para as quais, ela não esteja preparada. Minha filha, Eu lhe dei o filho que você Me pediu. Um filho perfeito é aquele que você ama, seja ele como for. Toda mãe tem filhos perfeitos, porque a perfeição está nos olhos de quem vê e no coração de quem pede. Vai, mãe, cuida do teu filho, vive um dia de cada vez, aprende o que o dia te ensina. Não procure o manual, não busque garantias. Ame, assim você encontrará todas as normas e conhecerá todas as garantias.
— Deus, muito obrigada, se eu precisar posso...

— Pode, minha filha, todas as vezes que você precisar.
A ligação é encerrada.

São Pedro anuncia outra ligação, e desconsolado pergunta:

— Elas não aprendem?

No que Deus, responde muito pacientemente:


— Elas já sabem, querem apenas a confirmação.
— Confirmação de quê? – pergunta São Pedro, atônito.

Deus, olha, dá uma risadinha e diz:


— Que têm o filho perfeito.


Gláucia Taricano¹



Ao som de 'Ai ai ai' - Vanessa da Mata
Degustando Chá de Maçã Gelado
Imagem: 'Enquanto passa o trem' - Ismael Alexandrino

Gláucia Taricano¹
amiga que muito estimo é mãe em tempo integral, blogueira de mão cheia, dona do blog "Mãe 24h".

Domingo, 9 de Março de 2008

Bruma

Miniconto


É tarde. Cedo para se despedir com um adeus. E sofro. Clamo por uma história real. Vivo um sonho. A vida é um inferno? A eternidade é o céu? Talvez o seja; mas o presente também é eterno! E o céu de hoje, onde está? Não o vejo. Densas nuvens tentam assustar-me. Ignoro-as. Ressentidas, molham-me. Lavo-me da fuligem infernal.

É cedo. Tarde demais! Já não a vejo do lado. Corro para a porta trancada. Esqueci-me que a janela não tem trancas. O vento frio certamente aquecera seu corpo mais que eu. Matreiro, levou-a para longe de mim. Ressinto-me. Choro.

Já é hora. Levanto-me indisposto para o trabalho. Prefiro o ócio nostálgico do meu cachimbo. Demito-me por telepatia. Não saio de casa; cansei de viver lá fora. Preciso viver o interior do interior do interior, onde a morte – paciente – dorme. Que horas a morte acordará? Depois das oito, imagino. Mas oito décadas me serão suficientes? Talvez. Apresso-me, no entanto, em dizer que te amo.


Ismael Alexandrino, Milão



Ao som de 'Desafinado' - Tom Jobim

Degustando Capuccino

Imagem:'Cartão Postal - Bruma' - Ismael Alexandrino